A maternidade é, sem dúvida, um processo transformador e desafiador, no qual a mulher é levada a confrontar não apenas sua identidade como mãe, mas também os aspectos mais profundos e ocultos de sua psique. Laura Gutman, em suas obras, introduz o conceito de “encontrar a própria sombra”, um processo de autoconhecimento que explora tanto as luzes quanto as sombras da psique feminina durante a criação dos filhos. Além disso, esse conceito vai além do relacionamento da mãe com o filho, incluindo também o papel crucial do pai, as pressões sociais e as complexas dinâmicas da maternidade no contexto contemporâneo.
Neste artigo, portanto, exploraremos como esse processo impacta a vida das mulheres, como o apoio paterno contribui para o equilíbrio emocional e, por fim, quais os desafios sociais e emocionais que surgem durante a maternidade.
O que significa “encontrar a própria sombra” na maternidade?
Segundo Laura Gutman, encontrar a própria sombra na maternidade é um processo de autoanálise profundo. Nesse processo, a mulher confronta aspectos ocultos de sua psique e questiona as influências de sua mãe sobre sua identidade e suas escolhas. Esse processo, embora doloroso, exige um distanciamento do discurso materno anterior, permitindo que a mãe se reconheça como adulta e, assim, tome decisões mais autênticas na criação de seus filhos.
Esse encontro com a sombra é fundamental para que a mãe se aceite plenamente, com suas luzes e sombras. Ao se libertar das expectativas externas e internas, ela passa a agir de maneira mais genuína e consciente, criando uma nova forma de se relacionar com seus filhos e consigo mesma.
O papel do pai: apoio e separação emocional
O papel do pai vai além de simplesmente apoiar a mãe na maternidade. Ele é essencial para ajudá-la a se reencontrar como mulher e parceira, e não apenas como mãe. Quando a mãe se dedica ao cuidado do bebê, sua identidade tende a se fundir com o papel materno. O pai, então, deve ajudar a mãe a se separar emocionalmente do bebê, permitindo que ela recupere sua identidade e autonomia.
Além disso, o pai contribui para que a criança se distancie emocionalmente da mãe, o que favorece seu desenvolvimento emocional e independência. Para que essa separação ocorra de forma saudável, é fundamental que o pai seja um apoio emocional tanto para a mãe quanto para a criança, incentivando a autonomia e o equilíbrio no desenvolvimento de todos.
Em resumo, o papel do pai é crucial para que a mãe preserve sua identidade, a criança se desenvolva de forma independente, e o ambiente familiar favoreça o crescimento saudável de todos. Caso contrário, no futuro, podemos ter mães que interferem excessivamente na vida dos filhos, prejudicando sua autonomia, e filhos emocionalmente dependentes, mesmo na fase adulta.
Pressões sociais sobre a maternidade
A sociedade moderna impõe expectativas irrealistas sobre as mulheres após o parto, exigindo que retornem rapidamente à sua “normalidade”. Isso inclui voltar ao trabalho, emagrecer, recuperar a aparência pré-gravidez e esconder sinais de cansaço. Essas pressões desconsideram a complexidade emocional e física da maternidade, que transforma tanto o corpo quanto a mente da mulher.
Após o parto, o corpo da mulher passa por intensas mudanças hormonais e emocionais, o que pode afetar aspectos como o desejo sexual. Contudo, a sociedade não reconhece essas dificuldades e exige uma volta imediata ao estado anterior. Isso gera culpa e frustração, especialmente porque a mulher também precisa lidar com a adaptação ao novo papel materno e mudanças no relacionamento conjugal.
Para enfrentar essa pressão, é essencial que as mulheres recebam apoio emocional da família e dos parceiros. A experiência materna precisa ser valorizada, entendendo que a recuperação pós-parto não é imediata. Criar redes de apoio e promover um diálogo aberto sobre as dificuldades da maternidade ajudará as mães a se sentirem mais confiantes e menos culpadas. Caso não haja esse suporte, buscar a ajuda de uma profissional especializada pode ser uma alternativa valiosa. Você, inclusive, pode agendar um horário comigo (clicando aqui no link), caso deseje.
Doenças infantis como reflexo da realidade emocional da mãe
As doenças infantis podem refletir simbolicamente a realidade emocional da mãe. Embora a ciência médica aponte causas biológicas e ambientais, a psicologia sugere que essas doenças podem ser um reflexo das questões não resolvidas ou conflitos internos da mãe.
Cada sintoma ou doença pode ser uma oportunidade para a mãe refletir sobre seu estado emocional, tomando consciência de suas necessidades e abordando questões emocionais que talvez tenha ignorado. Isso também pode ser visto como uma forma de retificar seu caminho de autoconhecimento. Por isso, é fundamental que a mãe tenha um período gestacional equilibrado e tranquilo. Sei que para as mamães, especialmente as “marinheiras de primeira viagem”, pode não ser fácil encontrar esse equilíbrio, mas eu posso te ajudar nesse processo. Entre em contato comigo.
A importância da comunicação honesta com as crianças
A comunicação honesta com as crianças é essencial para um desenvolvimento emocional saudável, especialmente em situações complexas como divórcio ou adoção. As crianças, mesmo pequenas, são sensíveis às mudanças ao seu redor e podem perceber a tensão emocional dos adultos, mesmo sem uma comunicação explícita sobre o que está acontecendo. A transparência não só ajuda as crianças a entenderem as circunstâncias, mas também fortalece a confiança, crucial para seu equilíbrio emocional.
Em momentos delicados, como o divórcio, os pais devem se comunicar de forma clara e sensível. Por exemplo, ao falar sobre o fim do relacionamento, podem dizer: “Estou assustada, seu pai é uma pessoa amorosa, mas não é o homem que eu quero ao meu lado agora”. Isso ajuda a criança a entender que, apesar da mudança, ambos os pais continuam sendo importantes, mas a situação exige uma adaptação.
No caso da adoção, descrever o processo de forma honesta e envolvente ajuda a criança a se sentir acolhida e valorizada. Falar sobre o amor com que ela foi recebida, os sentimentos dos pais durante a adoção e os detalhes da história fortalece seu senso de pertencimento e identidade. Uma comunicação genuína e emocionalmente aberta proporciona uma compreensão mais profunda da realidade e ajuda a criança a lidar com as dificuldades de forma mais saudável.
Estabelecendo limites eficazes na educação infantil
O conceito de limites na educação infantil é muitas vezes visto de forma simplista, geralmente ligado ao uso do “não”. Laura Gutman aponta que o verdadeiro desafio é estabelecer um acordo entre os desejos da criança e os da mãe, buscando uma compreensão mútua.
Em vez de impor um “não”, a mãe pode considerar primeiro o “sim”, tentando atender ao desejo da criança dentro de um acordo saudável. Isso cria um ambiente mais harmonioso, tornando o “não” parte de um diálogo construtivo.
Maternidade e sexualidade: resgatando a feminilidade
A maternidade traz mudanças físicas e emocionais para a mulher, incluindo transformações na sexualidade. O desejo sexual pode ser redirecionado para a amamentação e os cuidados com o bebê, o que gera desconexão com a identidade sexual. Esse redirecionamento pode causar exaustão e afetar a percepção da mulher sobre si mesma, distanciando-a da sua feminilidade e sensualidade.
A presença amorosa do parceiro é crucial nesse processo de redescoberta. Ao investir em comunicação afetiva e carícias, o casal pode ajudar a mulher a reconectar-se com sua sexualidade de forma saudável e respeitosa. Isso vai além do ato sexual, envolvendo a redescoberta do prazer e da sensibilidade, criando um ambiente de apoio emocional que fortalece a intimidade.
A chave para resgatar a feminilidade e a sexualidade é o esforço conjunto dos parceiros para manter um vínculo emocional forte, sustentado por carinho, compreensão e comunicação sincera. Com paciência e cuidado, a mulher pode retomar sua confiança, restaurar sua autoestima e fortalecer a relação.
Maternidade, dinheiro e identidade feminina
Um dos maiores desafios que as mulheres enfrentam após se tornarem mães é a dificuldade de separar a identidade de mãe da identidade de mulher. Muitas vezes, elas se veem como mães em tempo integral, o que pode tornar esse processo ainda mais difícil. Contudo, a maternidade também é uma jornada de autoconhecimento e transformação. O conceito de “encontrar a própria sombra”, proposto por Laura Gutman, oferece uma poderosa reflexão sobre a identidade da mulher, seus limites e sua relação com o parceiro e a sociedade. Ao confrontar e aceitar suas sombras, a mãe pode tomar decisões mais autênticas, vivendo de maneira mais equilibrada. Isso, por sua vez, proporciona um ambiente mais saudável tanto para si mesma quanto para seus filhos.
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Leia também: Como a Maternidade Pode Ser um Caminho de Autoconhecimento

Daniele Brizolla
Daniele Brizolla é pedagoga e especialista em inteligência emocional, com 14 anos de experiência na área da educação. Sua missão é auxiliar futuras mamães a terem uma gestação confiante e apoiar mães na criação de seus filhos, proporcionando segurança na educação, fortalecendo os vínculos familiares e promovendo um ambiente emocionalmente saudável. Oferece conteúdos nas redes sociais e atendimento online. Siga meu perfil no Instagram (@danielebrizolla).