A obra “A Paixão de Cristo”, de John Piper, convida o leitor a uma profunda reflexão sobre o significado da morte de Jesus Cristo. Ao explorar 50 razões cruciais para este evento central da fé cristã, o livro busca responder à pergunta essencial: “O que Deus realizou em favor de pecadores como nós ao enviar Seu Filho para morrer?” Piper conduz o leitor a uma compreensão do sacrifício de Cristo, não apenas como um fato histórico, mas como um ato de amor e justiça divina.
A Centralidade da Morte de Cristo
A morte de Jesus não é meramente um evento histórico, mas sim o alicerce da fé cristã. Sem ela, toda a teologia cristã se desmoronaria. A crucificação representa o ponto de convergência entre a justiça e o amor de Deus, revelando a gravidade do pecado e a vastidão da graça divina. A questão central da morte de Jesus não reside em sua causa, mas em seu significado.
A morte de Jesus demonstra a justiça e o amor de Deus. A justiça divina exige que o pecado seja punido, e essa punição foi satisfeita por meio do sacrifício de Jesus na cruz. Se Deus não fosse justo, não haveria necessidade do sofrimento de Jesus. No entanto, o amor de Deus se manifesta na disposição de oferecer Seu Filho como propiciação pelos pecados da humanidade. Deus é justo ao exigir a penalidade do pecado e amoroso ao prover o substituto que assume essa penalidade. A morte de Cristo é, portanto, a intersecção da justiça e do amor divinos.
Se Deus não fosse justo, não haveria exigência para o sofrimento e a morte de Seu Filho. E se Deus não fosse amoroso, não haveria a disposição do Filho de sofrer e morrer. Mas Deus é justo e amoroso. Seu amor se dispõe a cumprir as exigências de Sua justiça. O amor de Deus se manifesta na disposição de enviar Seu Filho para morrer por pecadores.
“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4:10).
Deus como Autor da Crucificação
A crucificação de Jesus foi um ato da vontade de Deus, não um mero acidente histórico. Embora historicamente tenha sido executada pelos romanos, o livro enfatiza que, em última análise, foi Deus quem entregou Jesus à morte na cruz. Isaías 53:10 e Romanos 8:32 são citados para mostrar que o sofrimento de Jesus fez parte do plano soberano de Deus, que “agradou ao Senhor moê-lo”, por assim dizer, e que Deus “não poupou o Seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós”. Isso demonstra que a morte de Cristo não foi um acaso, mas um ato de amor preordenado por Deus para a salvação da humanidade.
“…ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Isaías 53:10). O Novo Testamento também declara: “[Deus] não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou” (Romanos 8:32).”
Propiciação e Remoção da Ira de Deus
A morte de Jesus é um ato de propiciação. “Propiciação” significa a remoção da ira de Deus por meio de um substituto. Jesus Cristo, ao morrer na cruz, absorveu a ira que era devida aos pecadores. Ele não apenas cancela a ira, mas a absorve, desviando-a dos pecadores para Si mesmo. Isso demonstra que a ira de Deus é justa e foi executada em Cristo, não retirada ou ignorada. A propiciação é fundamental para o entendimento de que Deus não “passou pano” para o pecado, mas proveu um meio de justiça que, ainda assim, é misericordioso.
“É esse o significado da palavra “propiciação” … Refere-se à remoção da ira de Deus por prover um substituto. O próprio Deus oferece o substituto. Jesus Cristo não apenas cancela a ira; Ele a absorve e desvia-a de nós para Si mesmo. A ira de Deus é justa e foi executada, não retirada” (p. 20, versão e-Book).
Justificação e Imputação da Justiça de Cristo
A justificação não é apenas o perdão dos pecados, mas também a imputação (atribuição) da justiça de Cristo aos crentes. Isso significa que, por meio da fé em Cristo, a justiça perfeita d’Ele é creditada aos crentes, como se fosse deles. A morte de Cristo pagou a dívida da injustiça dos homens, e a obediência de Cristo oferece a justiça necessária para que sejamos aceitos por Deus. A fé não é a base da aceitação diante de Deus, mas o meio pelo qual nos unimos a Cristo para que a justiça d’Ele seja contada como nossa. “A justificação não é apenas o cancelamento de minha injustiça. É também a imputação da justiça de Cristo sobre mim.”
“A morte de Cristo pagou a dívida de nossa injustiça… a obediência de Cristo ofereceu a justiça de que precisávamos a fim de sermos justificados no tribunal de Deus.” (p. 46, versão e-Book)
A fé é o meio pelo qual somos unidos a Cristo e recebemos Sua justiça. “A fé não é a base para a nossa aceitação por parte de Deus. Só Cristo o é. A fé nos une a Cristo de modo que a sua justiça é contada como sendo nossa.” (p. 48, versão e-Book)
Libertação da Escravidão e da Lei
A cruz traz liberdade da escravidão aos rituais e da lei. A salvação é a libertação da escravidão do pecado e do ritualismo legalista. Por meio da morte de Cristo, somos libertos para a liberdade, não uma liberdade de fazer o que se deseja, mas sim de nos tornarmos o que fomos criados para ser. A santificação é o processo contínuo de nos tornarmos mais parecidos com Cristo; é o progresso, não a perfeição final, que evidencia a realidade da salvação.
A justificação (declaração de “não culpado”) precede e garante a santificação (transformação progressiva). O que se tem em progresso, embora ainda não se veja completamente, é prova de que a meta já foi alcançada em Cristo. A cruz significa liberdade da escravidão dos rituais. “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gálatas 5:1).
Santificação como Processo Contínuo
A santificação é um processo contínuo de transformação, no qual os crentes se tornam mais semelhantes a Cristo. “Ser santificado significa que somos imperfeitos e estamos em um processo. Estamos nos tornando santos – mas ainda não somos plenamente santos.” (p. 58, versão e-Book)
“A evidência de nossa perfeição diante de Deus não é a perfeição que tenhamos experimentado, mas o progresso que estamos experimentando. As boas novas são que estar a caminho é prova de que já chegamos.” (p. 58, versão e-Book)
Reconciliação e o Evangelho como Boas Novas
A reconciliação é o recebimento do que Deus já fez por nós por meio de Cristo. “A reconciliação, da nossa parte, é simplesmente receber o que Deus já fez, do modo como recebemos um presente de inestimável valor” (p. 77, versão e-Book). O evangelho é a notícia da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, não apenas teologia.
“Deus é o evangelho. Evangelho significa “boa nova”. O Cristianismo não é primeiramente teologia, mas notícia. É como quando prisioneiros de guerra ouvem num rádio escondido que os aliados já venceram e o salvamento é apenas questão de tempo.” (p. 78, versão e-Book)
A Morte do Crente em Cristo
A morte de Cristo é também a morte do crente para o pecado. “A morte de Cristo em nosso lugar e por nós significa que nós morremos. Talvez alguém pense que, ter um substituto para morrer em seu lugar significa que ele escapa da morte. É claro que escapamos da morte – da morte eterna de miséria sem fim e separação de Deus” (p. 102, versão e-Book). “Meu pecado levou Jesus ao túmulo e levou-me ali com ele” (p. 103).
Quer se aprofundar mais nesse tema? Confira minha sugestão de leitura no link abaixo! Ao comprar através dele, você não paga nada a mais e ainda apoia a produção deste conteúdo. Clique para conferir!
- A paixão de Cristo | eBook Kindle: A questão central da morte de Jesus não está em sua causa, mas em seu significado. Esse é o foco deste livro, onde John Piper reúne, a partir do Novo Testamento, cinquenta razões que respondem à pergunta mais importante que todos devemos enfrentar: O que Deus realizou em favor de pecadores como nós ao enviar Seu Filho para morrer?

@teoreformata
Siga nosso perfil no Instagram.