O livro “Verdadeiro Evangelho”, baseado em sermões de Paul Washer, explora a profunda pecaminosidade humana e o consequente ódio de Deus pelo pecado e pelo pecador, contrastando com o Seu amor redentor. A obra enfatiza a justificação pela graça através da redenção em Cristo Jesus, abordando o dilema teológico de como Deus pode ser justo e, ao mesmo tempo, justificar o pecador. Washer critica o reducionismo do evangelho contemporâneo, advogando um retorno à compreensão bíblica da salvação, culminando na ressurreição e ascensão de Cristo como Rei da Glória.
Centralidade do Evangelho
Washer enfatiza repetidamente que o evangelho não é apenas o ponto de partida da fé cristã, mas a base para toda a vida cristã. Ele critica a tendência de relegar o evangelho a uma “matéria básica” e argumenta que ele é infinitamente profundo e essencial para a transformação genuína.
“Nunca esqueçamos que o evangelho não é só o fundamento da nossa fé, mas o único meio pelo qual toda a vida cristã pode existir, pois, fora de Cristo, tudo não passa do mais completo absurdo” (p.10, versão e-Book). “Nunca haverá nada mais grandioso do que o evangelho. E não há poder para salvar à parte da clara proclamação do evangelho” (p.19).
O evangelho não é apenas o fundamento da fé cristã, mas também a única fonte de poder, motivação e direção para a vida diária do crente. Fora de Cristo e do entendimento do seu sacrifício, a vida cristã se torna vazia, dependente de emoções e empolgação passageira, e não da verdade que transforma. O evangelho é o que nos leva a adorar e a ter um entendimento correto de Deus e nós mesmos, impulsionando nossa busca por santidade. Ele não é um assunto que se esgota após a conversão, mas uma verdade que deve ser continuamente internalizada.
Extrema Pecaminosidade Humana
Washer apresenta uma visão radical da depravação humana, argumentando que todos os homens nascem em pecado, são inerentemente maus e inimigos de Deus. Ele não apenas enfatiza que os homens cometem pecados, mas que são essencialmente pecadores em sua natureza, o que os torna totalmente incapazes de agradar a Deus por seus próprios méritos.
A Bíblia descreve a condição humana antes da conversão como sendo de total depravação e inimizade contra Deus. Os seres humanos nascem em pecado e cometem pecados constantemente. A natureza humana é descrita como corrompida desde a infância, com os pensamentos e desejos do coração continuamente voltados para o mal, não apenas cometendo atos pecaminosos, mas sendo inerentemente pecadores, tendo um coração de pedra, odiador de Deus. Todos os seres humanos nascem em pecado, merecendo a ira divina.
“O ser humano não simplesmente comete pecados; ele é nascido no pecado. Nós somos podres e corrompidos desde o início” (p.26). “Todos nós gastaríamos toda a nossa energia para esconder o que se passou pela nossa mente apenas na última hora” (p.27).
A natureza humana é tão perversa que, sem a graça de Deus, todos seriam capazes de atrocidades. O autor enfatiza que, antes da conversão, o coração humano é um “coração de pedra, um coração odiador de Deus, um coração maligno”.
Logo, Deus é um “Deus que está irado todos os dias”, destacando a Sua justiça e ódio pelo pecado. O autor rejeita a ideia de um Deus que “odeia o pecado, mas ama o pecador,” enfatizando que Deus odeia tanto o pecado quanto o pecador. A santidade de Deus é um pilar central, e sua ira é uma resposta justa à rebelião humana. “A Bíblia não diz que Deus odeia o pecado e ama o pecador; a Bíblia diz que Deus odeia o pecado e o pecador” (p.40).
Deus não é apenas amor, mas também justiça e santidade. Ele é um juiz justo que abomina o pecado e o pecador. A ira de Deus é uma reação santa contra toda a maldade e injustiça. Assim, a ira de Deus contra o pecado é tão importante quanto o Seu amor, e ambas são necessárias para uma compreensão completa de Sua natureza.
A ira de Deus não é uma emoção arbitrária, mas uma resposta moral e justa à perversidade humana. Para Washer, a compreensão da ira de Deus é crucial para a apreciação do Seu amor e graça. “O amor de Deus é exaltado da mesma maneira como as estrelas são exaltadas pela escuridão do céu” (p.42). O único motivo pelo qual você não ama a Deus como Ele merece é por que você não entendeu quanto perdão foi derramado sobre você.
A compreensão da profundidade do pecado e da ira de Deus é crucial para que se entenda a grandeza da graça e do amor divinos manifestados em Cristo. Sem reconhecer a gravidade de nossa condição pecaminosa, não podemos apreciar a dimensão do sacrifício de Cristo e a profundidade do perdão que nos foi concedido. Uma visão superficial do pecado leva a uma visão superficial do amor de Deus, tornando a salvação algo trivial.
Justificação pela Graça
A doutrina da justificação também é abordada no livro, explicando que os pecadores são declarados justos perante Deus não por seus próprios méritos, mas gratuitamente pela graça, mediante a fé em Jesus Cristo. A justificação é um ato forense, no qual Deus, o Juiz, declara o pecador justo com base na obra redentora de Cristo. “O cristão é justificado sem motivo algum. Isso significa que você não deu a Deus absolutamente qualquer motivo para Ele declará-lo justo” (p.54). A justificação é um presente imerecido, totalmente dependente da graça de Deus. “Porque eu vou para o céu baseado no mérito e no valor de Outro: Jesus Cristo, meu Senhor” (p.57).
Quando um pecador crê em Cristo, Deus o declara justo perante a lei divina. Não se trata de apenas perdoar pecados ou tornar alguém justo instantaneamente, mas sim de uma declaração legal. Deus, o Juiz, olha para o pecador que colocou sua fé em Cristo e o declara legalmente justo, não por mérito próprio, mas pela graça divina através da fé.
Redenção e Propiciação
Washer explica que a redenção e a propiciação foram realizadas por Jesus Cristo. Ele enfatiza que Cristo, sendo o próprio Deus, entregou sua vida, suportando a ira de Deus em lugar dos pecadores. Ele critica a ideia de que o sofrimento de Jesus na cruz foi apenas físico, enfatizando que o principal sofrimento foi o abandono do Pai e o fardo do pecado imputado sobre Ele. “Ele se tornou o bode expiatório, Ele se tornou o verme, Ele se tornou a serpente levantada no deserto” (p.86).
A morte de Jesus foi um sacrifício substitutivo, onde Ele recebeu a punição que os pecadores mereciam. “Nós não somos salvos por aquilo que os romanos fizeram com Jesus, nós somos salvos por aquilo que Deus fez com Seu Filho” (p.85). “Aquele Homem sofreu por poucas horas no madeiro e salvou uma multidão de homens de uma eternidade no inferno unicamente porque Aquele único Homem era mais digno do que todos os outros colocados juntos” (p.82).
A morte de Jesus na cruz é um sacrifício propiciatório. Ele tomou sobre si o pecado da humanidade, recebendo a ira e o castigo que nós merecíamos. Deus fez de Cristo pecado por nós, para que, nele, fossemos feitos justiça de Deus. O sacrifício de Cristo é, portanto, o pagamento total exigido pela justiça divina para perdoar o pecador arrependido, ou seja, os sofrimentos de Cristo na cruz não são a causa da nossa salvação, mas o fato de que Ele carregou os nossos pecados e foi punido no nosso lugar.
Por que era necessário que Jesus fosse Deus para realizar nossa salvação?
Era essencial que Jesus fosse Deus para que Sua morte tivesse o poder de salvar a humanidade por diversas razões. Primeiramente, somente Deus poderia suportar a ira divina e ressuscitar. Em segundo lugar, Sua vida não era emprestada, mas Sua. E, em terceiro, Seu valor era infinito, e somente Ele poderia pagar o preço infinito por um pecado contra um Deus infinito. Ele precisava ser Deus para oferecer um sacrifício perfeito e suficiente para todos os pecados de todos os homens.
Reinado e Soberania de Cristo
O livro conclui com uma visão da ascensão de Cristo e Seu reinado glorioso, argumentando que Jesus é o Rei da Glória, diante do qual todos se prostrarão, seja por livre e espontânea vontade, seja por julgamento. Cristo já é Senhor de todos, quer sejam salvos ou não. “Este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” A soberania de Cristo é um fato inescapável, que exige uma resposta de adoração e submissão.
Chamado ao Arrependimento e Fé
Washer faz um chamado urgente ao arrependimento e fé em Cristo, alertando sobre a brevidade da vida e a iminência do julgamento. Ele enfatiza que a verdadeira salvação é evidente na transformação da vida e na busca contínua por Deus. “Arrependa-se e creia no evangelho.”
A fé genuína leva a uma vida de obediência, amor a Deus e ao próximo, e afastamento do pecado. “A evidência de sua salvação não é que um dia em sua vida você fez uma oração após ler um livro. A evidência de sua salvação é que você continua caminhando com Ele” (p.106).
Implicações Práticas
- Humildade: O livro desafia a autossuficiência humana, enfatizando a necessidade de reconhecer a pecaminosidade e a dependência total de Deus.
- Gratidão: A compreensão da grandeza do sacrifício de Cristo gera um amor e gratidão profundos para com Deus.
- Transformação: O evangelho não é apenas uma doutrina a ser compreendida, mas uma força transformadora que molda toda a vida do crente.
- Urgência: O livro transmite um senso de urgência e a necessidade de buscar a Deus enquanto há tempo.
Conclusão
“O Verdadeiro Evangelho” de Paul Washer é uma leitura desafiadora e impactante, que apresenta uma visão radical da fé cristã, centrada na glória de Deus, na gravidade do pecado, e na suficiência da obra redentora de Jesus Cristo. O autor não hesita em confrontar o leitor com a dura realidade da condição humana, mas também oferece a esperança da salvação e a beleza da graça divina. O livro é um chamado urgente ao arrependimento, à fé e à entrega total a Cristo como Senhor. Ele busca levar o leitor a uma compreensão mais profunda e genuína do evangelho, resultando em um amor mais intenso por Deus e uma vida transformada por Sua graça.
A resposta do crente à obra de Cristo deve ser de total entrega e gratidão. Devemos oferecer nossos corpos como sacrifício vivo a Deus, motivados pela misericórdia demonstrada através do evangelho. O crente deve ter uma vida que reflita o amor e o sacrifício de Cristo, reconhecendo que não é um mero acessório na vida, mas a essência dela. Além disso, o crente deve ter uma busca constante por santidade e devoção, com um coração quebrantado pelo pecado e grato pela graça redentora. A vida cristã não se trata de ter Jesus para melhorar a nossa vida, mas de ter Jesus como a nossa vida.
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